
Pesquisa transforma pirarucu em alternativa sustentável para alimentação e saúde
27/08/2025
O pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo e símbolo da Amazônia, está no centro de uma iniciativa inovadora que une sustentabilidade, ciência e geração de valor econômico e social. A Startup BioGigas, em parceria com o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), desenvolve há seis anos o programa “Inovação na Piscicultura do Pirarucu”, que alia o manejo sustentável da espécie à criação de produtos inéditos para a área da saúde.
A base experimental do programa funciona no Complexo Turístico Paraíso D’Ângelo, em Manacapuru (município a 84 km de Manaus) e integra o portfólio do CBA. O projeto busca soluções para superar as limitações tecnológicas da cadeia produtiva da espécie e transformar o pirarucu em fonte de insumos tanto para a alimentação quanto para a medicina.
O programa “Inovação na Piscicultura do Pirarucu” estruturou processos que abrangem todas as etapas da cadeia: reprodução, alevinagem, engorda, abate e aproveitamento integral do peixe. O trabalho é baseado na economia circular, garantindo que cada parte do pirarucu seja utilizada – da carne e pele até as vísceras.
Além da produção de mais de 140 toneladas de peixe para consumo, o programa desenvolve produtos inovadores destinados à saúde, atualmente em processo de patente, que prometem colocar a bioeconomia amazônica em posição de destaque no cenário mundial. A iniciativa prevê um faturamento que pode alcançar R$ 200 milhões, com impacto direto na preservação da espécie e no fortalecimento da piscicultura regional.
Entre os resultados esperados estão a ampliação da oferta de alimentos de qualidade para mercados local, nacional e internacional; a criação de novos protótipos e equipamentos para o manejo do peixe; a melhoria das condições de trabalho para produtores; e a valorização do conhecimento amazônico na geração de tecnologias sustentáveis.
O programa também tem como meta contribuir para a fixação de famílias no campo, reduzir pressões sobre áreas de floresta, aumentar os estoques naturais da espécie e incentivar boas práticas de manejo em propriedades parceiras, como já ocorre em Manacapuru (AM).
Com investimentos previstos na ordem de R$ 25 milhões, o projeto representa uma oportunidade de integração entre ciência, negócios e desenvolvimento sustentável, alinhado às diretrizes da bioeconomia amazônica e ao uso inteligente dos recursos da biodiversidade.
Produção sustentável
Os peixes do programa são criados em tanques de alvenaria e escavados, passando por um processo criterioso de acompanhamento sanitário, o que resulta em um produto final de alta qualidade. O ciclo produtivo dura em média 14 meses, até o abate e a preparação para comercialização.
A estratégia alia tecnologia e preservação ambiental, representando uma oportunidade de negócios para empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) que desejem aplicar recursos previstos na Portaria Conjunta MDIC/Suframa nº 11, de 27 de dezembro de 2023, fortalecendo a bioeconomia da região.